sábado, 7 de novembro de 2009

Memórias de Tadzio

A primeira vez que o vi foi em um café próximo ao teatro, como tantos jovens intelectuais, passara a freqüentar aquele lugar com um pequeno livro e alguns trocados no bolso, suficientes para apenas um ou dois expressos. Ele sentava próximo à janela, lia o jornal, como tantos velhos que também freqüentavam ali, mas notei que ele mantinha o interesse nas pessoas, como se aquele jornal fosse um disfarce para seu verdadeiro passatempo: observar.
Já havia cerca de quarenta minutos que o observador estava sendo por mim perscrutado, e, acredito que ele já sentira a invasão em seu pequeno mundo com meus olhos sobre ele. Logo pagou a conta e saiu. Não pensei muito naquele dia, até que descobri, semanas depois, o velho em meio aos músicos e soube que ele fora maestro da sinfônica, agora aposentado. Ele, ao me ver, mostrou certa satisfação, ainda que sutil, e me pediu para assumir meu lugar junto ao segundo violino.
Após o ensaio, ele foi aplaudido e deixou o teatro discretamente. Eu o segui a certa distância até o momento em que ele se sentou na mureta do jardim para fumar um cigarro. Sentei-me próximo dele e falei-lhe alguma tolice, pois nada sabia da importância ou não, daquele homem para formação da sinfônica do Estado.
Ele me respondeu de forma distante e pouco a vontade, não muito interessado em suas glórias passadas, me deixando também em certa confusão sobre o que falar a seguida. Esta foi a primeira vez que nos falamos e foi sobre nada, apenas expusemos a própria existência de um ao outro. Mas desde ali me interessei particularmente por aquele senhor e passei a devotar algum tempo a persegui-lo como fosse este meu próprio passatempo.
Sempre o procurava no Caffè, nas apresentações da orquestra, nos bastidores dos ensaios, até que nos tornamos, se posso assim dizer, amigos. Passei a freqüentar a casa dele, ouvir longas sinfonias de suas gravações em vinil, a acompanhar seus gostos exóticos pelos chás, até comecei a fumar. Foi um momento no qual senti o quanto ambos fazíamos bem um ao outro.
Adquiri certa familiaridade com seus modos, muitas vezes ríspidos, outras vezes gentis e, passei a amar aquele velho, solitário e cheio de manias, rude e orgulhoso. Acredito que ele também passou a me amar, aos poucos, à medida que compartilhava cada vez mais coisas comigo, me permitia viver mais à sua sombra, me deixava sentir o hálito da idade e do seu cigarro.
Apaixonamo-nos, sem querer, sem forçar nada, deixei seu braço me amparar com forca, trocamos olhares e o beijo saiu. Ele chorou, pediu desculpas. Eu não sabia o que fazer, ajoelhei-me em frente a ele e o beijei de novo. Na semana seguinte passamos a viver juntos, era como se os cinqüenta anos que nos separavam desaparecessem, ele jovem novamente, como eu, em um vigor viril intenso, e um cavalheirismo ímpar.
E ele mudou também, passou a me falar de coisas de sua vida, me contou suas historias, seus sentimentos, me falou de lugares, sempre fazia questão de frisar os detalhes de cada lugar, as cores de cada paisagem, como se eu pudesse absorver a essência de cada uma de suas experiências.
Contou-me sobre Veneza, e de como deixava-se perder em divagações frente ao mar, contou-me de Nova York e de como ouviu as sinfonias de Mahler, frisou as cores de Paris na primavera seus aromas, seus cafés, como se fosse um guia turístico me apresentando um tour. Entretanto, o mais estranho foi como me ensinou o quanto a vida é uma aventura inútil e, como pode-se extrair prazeres dentre toda essa banalidade.
Com ele aprendi a sentir o sabor da comida, a saber o gosto do tempo e da luz, os significados dos cheiros, acho que minha vida foi profundamente enriquecida com seus setenta anos de experiência e, acho também que ele passou a ser um pouco mais jovial para com o mundo pois, eu acreditava que ele se fortalecia em mim: minha juventude o dava alento para viver novamente, para abandonar o tédio e se divertir como em seus momentos de prazer tão vividadementes descritos e, talvez permitir novos a ingressarem na lista.
Por tantas vezes o vi me observar me divertir, ele ao longe, me permitindo aventurar-me, pois sabia que sempre retornaria à segurança de seus braços, nunca foi ciumento, era como se este sentimento não existisse nele, e acho que hoje entendo um pouco isto também.
Ainda o vejo sentado em uma cadeira de praia lendo o jornal e eu na piscina seduzindo um jovem, o quanto isto o divertia e excitava. Mas algo que nunca compreendi era que ele me dizia adeus, desde aquele dia no Caffè, tudo foi um grande gesto de adeus, e tudo o que me disse, me ensinou, foi um modo de sobreviver, ele me adestrou na arte de viver e, de morrer.
Agora quando escrevo estas linhas, alguns minutos após seu suicídio, entendo, que ele me esperava, esperava alguém a quem pudesse comunicar tudo o que viveu antes de deixar o mundo, e sua jovialidade, a alegria de ter deixado tudo em seu lugar.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O fantasma dos Natais futuros


Nos últimos meses estive a pesquisar um tema deveras fascinante: o futuro. Especificamente, eu tento desde minha última postagem pensar quais as qualidades alguém deve deter para vivenciar as transformações culturais que a tecnologia tem possibilitado. Às vezes tenho certa impressão que sou pego de surpresa por novas tecnologias, novos comportamentos, que vieram e se desfizeram, quase sem eu me dar conta, mas nem por isso deixarem de ter sido relevantes: um dia eu estava programando em BASIC, noutro em Assembly x86, e logo a todos falavam e .NET e C#. Eu não vi como isto aconteceu, apenas me dei conta tarde demais do fato que estava na direção errada. Estava tão envolvido em minha minúscula área e não vi a grande figura: a história não é estática nem é previsível, mas tem um sentido. O que ocorreu é que eu continuava pensando como um programador da década dos 70, procurando um código enxuto e rápido, levando dias para modelar uma interface que algumas linhas de Visual Basic fariam tão bem - na verdade, melhor. Devo admitir que não imaginei que essa "interface gráfica" seria relevante, afinal era lenta, aproveitava mal o hardware, limitava o acesso a recursos e vídeo, enfim, era um entrave. Julguei rápido, fiz como os qua apostaram que a Apple não teria chance num mercado de telefonia móvel já dominado por gigantes bem estabelecidos. Meus gigantes eram o UNIX e o DOS: na minha cabeça cada usuário deveria desenvolver ou adaptar os softwares que utiizaria, olhar por bugs, adaptar o código e compilar em seu sistema específico. Quando foi lançado o "Chicago" (ou Windows 95), lembro que eu instalei ainda na versão de testes, carreguei uma sucessão de disquetes de 1.44 que me pregaram por horas dainte de um monitor VGA. Minha sensação após alguns dias foi de desconforto, afinal era lento, apresentava incompatibilidade com diversos softwares que utilizava, e aquele botão "Start" me parecia bizarro, para não dizer inapropriado. Até achei que o modelo da interface do Windows 3.11 me parecia mais intuitiva, todos os icones a mostra, em suas devidas categorias. Mas o bom mesmo era o DOS onde eu digitava o nome do programa que eu queria executar, por exemplo "ws" para "wordstar", ou "tb" para o "TurboBasic", seguido pelo arquivo que eu pretendia abrir e em instantes estava ali, pronto para trabalhar (claro que antes editara exautivamente o autoexec.bat para definir o PATH dad linha de comando!). Nada como compactar arquivos com o arj ou pkzip. Passei anos para entender como utilizar o "Winzip", por exemplo, sempre preferindo a clara linha de comando.

Não sei o que me causa este gosto pelo intestino dos equipamentos, e certo descaso pelo eyecandy das interfaces gráficas, mas isto me levou na direção errada, me levou a pensar de modo anacrônico. Justo eu, fascinado por tecnologia, preso em um ponto de vista em muito ultrapassado, em um saudosismo por talvez válvulas e programas em fitas cassete. Hoje escrevo em meu velho PDA, com um Compact Flash entulhado de emuladores de Amiga a ZX Spectrum, até x86. É, já instalei o Windows 95 no meu PDA, um Axim x51v (só para porque era teoricamente possível), e rodou lento demais para ser utilizável, mas valeu pelo prazer nostálgico. Pensando nisto, me pergunto, qual é o sentido da história hoje?

Para isto selecionei alguns temas para pensar, no que se refere à tecnologia, que, ao que tudo indica é o âmbito que mais tem modificado nosso comportamentos, nossos modos de ser.
1) Em 2002 fez certo sucesso o filme Minority Report, sob direção de Spielberg. A trama é completamente dispensável, o que realmente merece atenção são os dispositivos imaginados para metade do século XXI.
(...) embedded sensor grids, gestural manipulation of data, newspaperlike information appliances, dynamic and richly personalized advertising, and ubiquitous biometric identification, all undergirded by a seamless real-time network (...)

Adam Greenfield, 2006. Everyware: The Dawning Age of Ubiquitous Computing


Eu diria que 2045 está se antecipando. Quem já brincou com um iPhone sentiu como a interação com a máquina mudou: sem botões, sem canetinha stillus, apenas os dedos, navegação através de menus simples e com escassas opções (escassas até demais), um gesto de afastar dois dedos para fazer um zoom, um deslizar para passar a tela. Um intuitivo aprendido, certamente, mas quase natural.
Outro modelo para ser observado nos últimos anos é a Microsoft Surface. É quase o que vemos em Minority Report, o que não é de se estranhar, pois a Microsoft participou na produção e pesquisa do filme. Gestos, sensibilidade ao toque, nenhum botão. Sim, como no iPhone, com a diferença de ser em um produto que pode estar em qualquer parte, pode ser qualquer parte, um quiosque, uma mesa, um balcão, uma parede.

Ainda no espírito de MR, outro produto que vale observar é o Kindle, o leitor de ebooks da Amazon. Ligado permanentemente à rede de telefonia celular, permite navergar na loja, comprar ebooks, assinar jornais. Consome pouquíssima energia graças à tecnologia de eink, tendo horas de autonomia, portanto. Um produto bastante barato, de fácil leitura, parece mais uma folha de revista que uma tela de notebook. A conexão via sinal celular permite manter sempre o conteúdo atualizado, e receber a assinatura do jornal diariamente, ainda que seja um recurso pouco explorado, sobretudo por ser apenas preto-e-branco e a atualização da tela é lenta como dos primeiros LCDs. Existe também o aplicativo Kindle para o iPhone, mas ler em LCD e um tamanho tão pequeno não é agradável (faço muito isto e não recomendo). Seguindo o raciocínio de Ray Kurzweil (The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology), eu ouso afirmar que este é o primeiro sinal real de que o livro impresso, encadernado e comprado em livrarias físicas, está perdendo o folêgo e comparndo lugar na história, ao lado dos rolos medievais e blocos mesopotâmios. É curioso que as deficiências do modelo atual dos e-book readers apontam exatamente a superação destas falhas e, consequentetente, obsoletização do livro tradicional. ***Se eu possuísse uma biblioteca, e eu possuo, talvez seja o momento de reduzir o passo na compra de livros para investir nas distribuições digitais. Ao que tudo indica, em dez anos este âmbito será tão afetado quanto foram arquivos de LP em vinil e VHS. A história não significa nada quando o assunto é o futuro. Se abandonar o livro impresso parecer difícil de aceitar, é um bom momento para ler ou reler Thomas Kuhn.

Recentemente a Microsoft tem revelado detalhes de seu projeto de reconhecimento de gestos através de câmeras de vídeo com suporte à profundidade. Seus sensores analisam o movimento e um algoritmointerpreta como inputs de hardware. Imagine que você deseja aumentar o volume da TV e você apenas faz um gesto de mãos, e ela lê isto e responde adequadamente. Sem controle remoto, sem botões, apenas o gesto. A esta interface é dado o nome de Project Natal, (clicando neste link e neste, os vídeos explicam melhor do que qualquer descrição). O dispositivo não apenas avalia gestos, mas faz uma leitura de corpo todo da pessoa que interage, avalia emoções pela feição facial, interage pela voz, responde a vários usuários simultaneamente, de uma maneira muito humana e natural. Acredito que se há algo que pode revolucionar rapidamente a interação entre máquinas biológicas e tecnológicas, este algo deve seguir na mesma linha do Project Natal. (Segundo Bill deve ser disponível para Xbox e PC, sem data)

Por fim, uma tecnologia bastante antiga e ainda insipiente, mas com que parece estar a camino de atingir certa maturidade e viabilidade. A OCZ, conhecida em geral por produzir excelentes memórias para PC, comercializa um dispositivo de interface chamado NIA - Neural Impulse Actuator. Este periférico utiliza-se de sensores ao redor da cabeça para fornecer comandos a um computador. O sonho de controlar a realidade apenas utilizando a mente está longe de ser alcançado, ainda, e o dispositivo não possui recursos de feedback, mas o fato de um produto como este ter atingido o status de suporem viável comercialmente é fascinante. A tecnologia para se fazer este tipo de leitura há muito pouco tempo tinha custo de dezenas a centenas de milhares de dólares, destinado apenas a hospitais e clínicas neurológicas - o mesmo produto em uma versão de maior escala e com mais sensores é efetivamente comercializado para fins médicos. Hoje por pouco mais de $100 é possível adquirir uma tecnologia como esta. Este produto é dirigido a jogadores de video game, utiliza além de sensores para ondas cerebrais, sensores musculares e após um extenso treinamenteo parece aprimorar a velocidade de reação do jogador aos eventos dos games. Fico imaginando quando houver resolução e velocidade de processamento para mapeamentos precisos do estado do cérebro, a ponto de podermos, não mais nem mesmo por gestos, mas utilizando apenas modos de pensar, manipular o real e o virtual, se é que esta distinção permanecerá válida por muito tempo. Ao que tudo indica, este tempo está logo aí.

No próximo post vou falar sobre Singularidade, ou a forma das coisas que estão por vir

Come... see the face of the shape of things to come. Isn't she beautiful, Gaius? - BSG

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Sobre mim

Trabalho há quase dez anos na Educação; primeiro, como professor de Ensino Médio e de Graduação, ministrei as disciplinas Filosofia e Ética, trabalhei em diversas escolas da rede particular e na atual UTFPR, posteriormente me dediquei aos setores administrativos da Educação, em escolas públicas municipais, escolas internacionais e, mais recentemente, em escolas públicas estaduais. Presenciei muitos eventos e refleti sobre a estrutura em que a educação acontece, e isto tem, sistematicamente, me afastado da prática como educador.

Quando muito jovem ainda e enquanto todas as opções me eram acessíveis, decidi ser professor, afinal a escola havia sido minha vida até então e nada mais poderia eu desejar, estava plenamente à vontade neste meio alucinado no qual fui formado estudante. Frequentei a escola em um tempo e local em que ainda os professores estavam extremamente bem qualificados para seu trabalho, o currículo era denso e era exigido integralmente: nem eu nem colega algum reclamávamos das noites que passávamos datilografando trabalhos em minha Olivetti, nem dos projetos intermináveis desenvolvíamos no Ensino Médio, ainda chamado Segundo Grau.

Aquele momento fazia pleno sentido, pois confiávamos que o método era eficiente. Havia falhas, sabíamos, mas o resultado era positivo: concluíamos os estudos de nível médio, escolhíamos o curso superior que nossos sonhos nos ditassem. Por isto escolhi ser professor: acreditava ingenuamente em um poder libertador do conhecimento, da técnica e da arte. Sempre soube que fazia parte de um grupo seleto de jovens a quem foram dadas estas oportunidades, mas também acreditava que elas estavam deveriam estar abertas a todos.

Trabalhei talvez em algumas das melhores instituições educacionais que há no Estado do Paraná. Em escolas particulares cuja mensalidade cobrada de seus alunos é maior em valor que o salário de um profissional de nível superior e escolas públicas que são referência para educação, tanto para o nível local, como é o caso do Colégio Estadual do Paraná, quanto nacional, como é o caso da UTFPR. Mas uma sensação é presente em todas elas, não há consenso sobre o que é e para que serve a escola, nem os professores, nem os administradores, muito menos os alunos. Aparentemente cada setor individualmente cria uma concepção e vive em função dela, independente dos demais. Alunos não vão à escola principalmente para aprender, e sim vão à escola para se socializar entre os colegas; professores vão para ensinar conteúdos e conduta moral - note que não falo em ética -, setores administrativos estão preocupados com aspectos legais e currículo, documentação e manutenção de hierarquias. Há, portanto três escolas e, nenhuma delas está fazendo o trabalho devido.

O professor não percebeu que há duas coisas que ele não é capaz de fazer, primeiro, informar o aluno, o aluno não precisa de informação, o saber não é mais poder, o saber está aberto a qualquer um que deseje sobre qualquer tema: você já ouviu falar dessa coisa chamada "google"? O aluno também não deve ser capaz de produzir conhecimento - lembre que conhecimento não é material para ser transformado em produto -, ele precisa saber, sim, organizar o conhecimento para si mesmo, para fazer uso dele, saber como chegar às informações que deseja, administrá-las, e melhorar a si mesmo, enquanto leitor do mundo, enquanto criador do mundo, enquanto usuário do mundo.

Em segundo lugar, há a falácia da escola que pretende formar o cidadão. Professor algum fará isto, alunos sim, eles formam-se a si mesmos, o grupo de jovens estabelece autonomamente seus valores, eles não são ditados nem de pai para filho, nem de professor para aluno, mas são instituídos ad hoc, na própria interface social. Não são os jovens que perderam os valores, eles os têm, muito obrigado, e eles os vêm criando desde antes da linguagem ser adquirida, o os vêm burilando em cada contato social. Se eles não possuem os seus valores, professor, é que já passou o nosso tempo.

A administração parece ser o âmbito mais acossado de toda a escola, pois está consolidada na própria estrutura material da escola, inerte, e ao mesmo tempo deve dar conta de todas as exigências da sociedade: inclusão, ECA, alunos problemáticos, drogas na escola, indisciplina, contato com pais, administrar os professores, manter o espaço físico. Quando eu entrei no Colégio Estadual do Paraná pela primeira vez, ocorreu-me a clara sensação de que entrava em um museu, uma estrutura arcaica que não responde minimamente às demandas do mundo para o qual deveria preparar o jovem. Esta sensação é causada pelo próprio prédio decadente, pelos profissionais letárgicos, pelas chefias, consequentemente uma absoluta ausência de planejamento permeia todos os setores, um verdadeiro pesadelo administrativo.

O modelo desta escola é adequado, talvez, para formar um jovem para viver na década dos setentas do século passado, jamais para o presente. A origem do anacronismo está justamente em ser uma escola pública: o servidor público não é, em geral, um indivíduo produtivo, é, antes, um cumpridor de ordens, covarde que se esconde atrás de sua mesa e de biombos, não assume riscos, se atém a um salário modesto, mas seguro.

Este funcionário representa a reprodução do modelo instituído pela hierarquia – mas a inovação não vem de cima, o céu está vazio. Os cérebros estão em maior quantidade na base do que no topo da hierarquia, uma certa questão de probabilidade básica. No topo da administração pública estão os dignitários da tradição, homens de ouro que não podem errar, enfim, aqueles que merecem estar ali.

Infelizmente idéias não surgem do merecimento, nem vêm do passado e nem da tradição, tudo o que já foi produzido por alguém significa nada em função do futuro. É por isto que não se pode arrumar a escola, é preciso queimá-la, com todos seus livros didáticos e seus professores dentro: não deixem alguém sair até restar apenas cinzas. Salvemos, porém, o jovem. Já pensou porque nascem as pessoas? É para os velhos morrerem. Os olhos dos velhos simplesmente não são capazes de entender quando seu mundo se foi, eles continuam vivendo tal e qual eternamente.

Para isso o jovem é muito bom, ele "saca" o mundo em que vive, assim, no ar, nasce sabendo: a evolução proporcionou esta capacidade ao ser humano, que o torna tão hábil em transformar e melhorar o mundo para si. Mas ela não previu a rapidez em que isto poderia acontecer, como disse o Luli Radfahrer, quando perguntarem "onde o mundo vai parar", responda, "não vai". Não vai parar. Ninguém pergunta ao aluno como é a escola que ele deseja, apenas ele pode propor a escola que tenha alguma serventia.

O jovem é mais capaz de propor a revolução na educação que todos os pedagogos pós-doutores do mundo, pois são eles, alunos, a parte interessada. Professores, administração, apenas somos vítimas, quando não parasitas da educação. Talvez consigamos 5% de aumento ou um cargo em comissão, mas nenhum de nós proporá uma Escola beta, a Educação 2.0, ou qual seja o nome de marketing que fique melhor. A força da tradição prefere negar o óbvio, e assim está o tradicional Colégio Estadual do Paraná a afundar como o Hi-Brazil de Monty-Piton, cantando em um coro dissonante, canções de pedagogês.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Divulgação de Livro


"Este "beta-livro" reúne textos originais de ativistas, acadêmicos e profissionais que estão ajudando a inventar/moldar a cultura da Web no Brasil. É uma experiência de produção de conteúdo educativo usando a Rede que começou na Campus Party em janeiro de 2009. É também um projeto colaborativo - literalmente - publicado com licença CC e aberto a interferências."
http://paraentenderainternet.blogspot.com/

domingo, 22 de março de 2009

TV Escola

O Projeto TV Escola surgiu na década de 90 com o objetivo de permitir aos professores meios de capacitação e, atualização permanente através de uma iniciativa de teledifusão via satélite e de receptores nas próprias escolas. Sua programação contempla hoje cinco temas denominados Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio, Salto para o Futuro e Escola Aberta. Atualmente pode-se ter acesso à programação através do sinal de rádio, da internet e, inclusive acessar o conteúdo disponibilizado no site da Biblioteca Virtual da Universidade de São Paulo.
Esta iniciativa é de especial importância em áreas nas quais, devido a características geográficas e sociais próprias, o acesso a cursos de aprimoramento profissional é imensamente difícil, senão impossível. No entanto, a precária educação, sobretudo nos níveis mais básicos encontrada no Brasil, constitui um impedimento à autonomia do indivíduo, desse modo, o acesso à formação e a capacidade de selecionar informações sob critérios científicos, torna-se sempre inviável. Ou seja, tal circunstância é reiterada no decorrer da docência, advinda primeiro da Graduação inconsistente e, pela incompetência na seleção científica de conceitos pelos educadores.
Nós professores, somos epistemologicamente mal formados e perpetuamos esta má formação; problema este que deveria ser solucionado por iniciativas consistentes do Estado. Os impedimentos para qualificação do professor começam na percepção de que ele realiza - e isto é fato que se verifica pela baixa remuneração - uma profissão de segunda classe. Ninguém deseja perseverar no fracasso e, com isto, as iniciativas de qualificação não reverberam pelo seu conteúdo, mas pelas simples vantagens econômicas imediatas que o professor poderá auferir por participar de um curso de capacitação; isto poderia apenas ser modificado de modo indireto, seja pela valorização do profissional ou pela adequada monetização dos esforços individuais.
Obviamente, portanto, a mera existência do recurso não implica seu uso adequado, isto porque são necessários incentivos nas circunstâncias do docente para que este possa redefinir seu papel, com base em seu aprendizado e, mesmo para que este possa desejar este aprendizado. Neste sentido, o Projeto TV Escola apresenta uma inconsistência grave, pois quem dedicará seu tempo e seus recursos intelectuais a uma carreira desprestigiada?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Open Space



Alguém pode apontar como sou desatualizado, cada dia estar desatualizado se torna mais fácil, afinal, sobretudo em áreas que não são as específicas de cada um. Mas... hoje descobri o Open Space Technology (OST) e fiquei animadíssimo com a descoberta. Sua “filosofia” pontuou algumas percepções minhas (ou melhor, de todos que já ocuparam-se em criticar a ineficiência de modelos como reuniões, palestras e, enfim, a escola), veja só os princípios (em negrito) e como interpretei:
1. Quem quer que chegue, é a pessoa certa: a pessoa é tida como certa simplesmente por estar interessada em certo tópico, o fato da pessoa estar ali, habilita ela a participar da discussão.
2. O que quer que aconteça, é a única coisa que interessa: isto faz focar a atenção a o que está acontecendo de fato e não em hipóteses fictícias ou ficcionais sobre o que poderia acontecer.
3. Seja quando começar, começará na hora certa: tem dias que a coisa não flui, não adianta insistir, e tem outros momentos que idéias surgem de todos os lados, se não tem o que propor que tal ir embora? Hoje a gente está fazendo progressos, que tal ir ao barzinho depois da reunião para extendermos a conversa?
4. Quando acabou, acabou. disse tudo, venha, faça o que tem de fazer, parta para próxima.
Por fim, muito me agradou a “lei dos dois pés”, ou seja, se você se perceber em uma situação que não está “nem aprendendo nem contribuindo”, você está no direito de usar seus pés para se colocar fora dali.
O legal em tudo isto é que são princípios naturais, e não aqueles modelos artificiosos com mnemônicos para lembrar-nos os passos...

Os créditos vão para Luiz Algarra @lalgarra pelo ótimo texto incluído no “Para Entender a Internet”, baixável aqui

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Mundo é Plano

O livro de Friedman: The World Is Flat: A Brief History of the Twenty-first Century, causou um agradável mal-estar frente ao natural assombro que a partir da década dos noventas vínhamos sentindo, devido em grande parte à revolução das comunicações. Apesar de termos vivido toda essa revolução ainda não nos demos conta de como e em que extensão o mundo foi transformado. Agradável porque nos esclareceu alguns pontos chave e nos deu a sensação de um certo sentido histórico. Mal-estar porque não fica claro que não mais é possível pensar o mundo do modo que fomos preparados para pensá-lo. Novas regras passam a valer mas regras antigas subsistem em amplos setores econômicos e sociais. Algumas idéias são importantes para se pensar:
  • A emergência do inglês como idioma padrão internacional, desde as transações comerciais às publicações científicas;
  • Nichos de mercado revelados pela assumção da dependência econômica entre as nações ricas e em desenvolvimento (BTW, nesta perspectiva o Brasil não está em desenvolvimento);
  • O paradigma mudou e o status de setores de mercado, nações e mesmo pessoas, foi reduzido a um ponto inicial, de forma que atualmente é uma época preciosa para apostar em inovações, modos alternativos de relacionamentos comerciais, planos de desenvolvimento nacionais;
  • Fronteiras e nacionalidades perdem seu sentido tradicional, o poder do indivíduo aumenta;
  • Hiper-presencialidade: por meio de tecnologias pessoas de mais diversas localizações geográficas podem se unir para o desenvolvimento de projetos, em suas casas ou escritórios ao redor do mundo, com o mesmo entrosamento antes obtido somente através de cansativas reuniões. São exemplos as VPNs, Foruns, teleconferências (hoje possíveis até através de celulares 3G), bancos de dados interfaceados com a internet, equipamentos como braços mecânicos operados remotamente.
  • O dia tem 24 horas em substituição ao 9-5 da década de 80. À medida que o globo gira, o trabalho pode ser continuado por diversas equipes ao redor do planeta.
  • Explica uma razão porque as escolas não mais fazem sentido hoje: elas repetem um modelo que não satisfaz nem as exigências individuais dos alunos, nem do mundo. Trata-se o aluno como sujeito passivo do processo educacional e pretende-se que ele se torne cidadão, abarrota-se o professor de burocracia, instituem-se inumeráveis recuperações, e o professor acaba alienado de sua posição de mestre em prol de uma posição meramente formal de cumprimento da rotina. Resultado: as escolas são apenas depósitos de alunos.
  • Transparência da tecnologia: os meios tecnológicos tornaram-se onipresentes, desde o sensor de movimento que ativa a lâmpada na escada do edifício ao telefone celular, ninguém mais estranha a presença destes elementos, e eles se tonam cada vez mais invisíveis em si, i.e., percebe-se o serviço prestado pelo equipamento, não o hardware. Hoje você pode acessar a web usando Unix, OS X, ou Windows com a mesma experiência, às vezes nem mesmo se dando conta de que está frente a um Mac: há versões do navegador Safari para iPhone, Mac ou Windows! A caixa grande e barulhenta em salas climatizadas, ligado em terminais de monitores fósforo verde e que na década dos 80 (e ainda nos 90 neste Brasil) precisávamos agendar com meses de antecedência para rodar aquela simulação que tanto necessítávamos para nossa pesquisa, foi substituída por uma infinidade pequenos dispositivos como "netbooks" (segundo a Psion não devemos usar este termo, saiba o porquê aqui), PDAs, Smartphones, acessíveis por menos de US$1,000, de uso intuitivo (ou será que nossa intuição foi quem se adaptou?), e com poder de processamento muitas vezes superior. Quem pensou em buscar no Google para descobrir a idade da cantora brasileira Sandy? E em usar o celular para isso? Isto se torna cada vez mais corriqueiro, veja este post do Cardoso aqui. Transparência em tecnologia acontece quando a utilizamos como uma extensão de nossas capacidades naturais.
Abaixo está um video com o autor falando sobre sua pesquisa para construção de "O Mundo é Plano" alunos do MIT.




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domingo, 1 de fevereiro de 2009

Descartes e Alan Turing

Descartes apresenta uma leitura grandiosa da mente humana: com o cogito, ergo sum propõe um fundamento para consciência que até então carecia de qualquer fundamentação. Além deste ponto de viragem da reflexão sobre si mesmo, outros princípios aparecem em seu Discurso. Uma higiene da mente, i.e., a necessidade de não tomar como verdadeiro aquilo que não é de todo certo, desmontando o conhecimento até seus alicerces, para construir o saber solidamente. Por fim, algo que ainda me impressiona - e já faz uns vinte anos que li o Discurso sobre o Método - é a fascinação pela noção de mecanismo que ele atribui aos seres vivos. Observar um animal vivo como um conjunto de mecanismos, válvulas e roldanas funcionando em harmonia, similar ao mecanismo de um relógio. Ok, tudo isso você já sabia do Filosofando lá do Segundo Grau...
No entanto, sempre pareceu-me dificil escapar ao solipcismo dentro de um esquema cartesiano. Nada, em sua filosofia, servia como base para se construir um mundo exterior ou um Outro. Até recentemente sempre me foi difícil fundamentar racionalmete a existência do mundo com as outras pessoas nele. Se eu utilizasse o argumento cartesiano, que é um argumento de fé e não me serviria de nada, pois nem sei se há um deus ou, se houver algo que o valha, não posso saber que não é um deus enganador. Provavelmente um rato de laboratório se se encontrasse na mesma situação, teria razão em supor que seu mundo exterior é moldado por algum deus enganador que lhe propõe situações as mais desconcertantes - por algum experimentador a conduzir um experimento?
Obviamente Descartes estava preso em um universo conceitual que não lhe permitia propor outra alternativa melhor. Não lhe havia Kant, ou Skinner, nem Chomsky. Nem mesmo Darwin. Uma caracteristica de problemas de natureza filosófica é que muitas vezes a maneira como certas questões são postas impedem qualquer avanço no raciocínio. É necessário por de lado o problema, pois muitas vezes ele se prova inexistente, um falso problema, ou insolúvel em absoluto (o que na prática dá no mesmo).
O problema da dualidade mente corpo é uma herança cartesiana que ainda está bastante presente, embora não seja exposto claramente, mas ainda resta por a claro algumas características de como o corpo e a mente se relacionam. Pondo de lado esse problema, a pesquisa de Damásio parece apontar para a inexistência de um limite entre uma e outra entidade, por assim dizer, a mente acontece no corpo. A noção de teatro do corpo re-situa a mente como fenômeno do corpo, como um evento que se dá no e através do corpo. Mesmo a escolha mais racional depende de testar as hipóteses no corpo, da pele às vísceras, e sentir como ele reage.
Quando situo uma falha no raciocínio cartesiano no que se refere à sua tentativa de fugir ao solipcismo, penso que não poderia em seu racionalismo perceber que a própria capacidade de propor uma reflexão não está alicercada em si mesmo, mas na existência de um outro que conduziu a reflexão até então. Agora seguindo Descartes: ainda que este outro seja enganador, ainda que cada conhecimento que eu obtenha seja fruto de um engodo, há certos saberes que são evidentes por si mesmos como verdades geométricas e, agora untrapassando descartes, conhecimentos científicos cujas provas possuem carater probabilistico, mas que podem ser testatdas frente ao mundo, deduzo que existe algum outro que já fez as mesmas perguntas que ora coloco. Assim, posso inferir que há outro similar a mim.
Segundo, se há um mundo cuja própria natureza levou a geração de algo tão improvável como eu, é de se inferir que existam muitas alternativas a mim por aí. Esta reflexão se baseia no princípio de organização dos sistemas com base nas leis da termodinâmica e na evolução, tal como proposto por darwin (explicar isto pode se estender de modo proibitivamente longo, assim se não intuiu onde quero chegar, deixe para lá).
Por fim, cabe agora relacionar a magistralidade da reflexão cartesiana ao perceber os mecanismos que regem os seres vivos como mecanicamente determinados. O trabalho de Alan Turing propõe uma leitura científica desse mesmo princípio, explicando algumas regras que podem reger o funcionamento da mente humana com base estritamete mecânica (preservacao da verdade através das sentenças que se encadeiam no processo de pesar).
Desculpem a obscuridade do texto, como não tenho leitores, posso me dar a esse luxo.


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segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

M iPhone

Olá pessoal, já disse no site da bia (Garota Sem Fio) que não havia tido contato com um aparelho desses, iphones wanabe genéricos, fostons da vida... desde então, conheci o MiPhone M88+. Minha opinião mudou comletamente, o aparelho é bem acabado, manual completo uma impressão impecável, folha com brilho, o que nem a Nokia faz, roda Windows Mobile 6, tem um desempenho bastante aceitável - melhor que o do HTC Touch pelo menos. Boa visibilidade, câmera, Wi-Fi, Bluetooth e todas essas coisas mínimas. Aceita cartões de expansão mini SD e tem stilus (coisas que i iPhone não tem), vem também com duas baterias de polímero de lítio. O lado "iphone" dele é a skin, o Slide to Unlock (S2U2) e o Slide to View, tudo podendo ser baixado para seu WM do xda-developers. Ah, sim, e é quadriband. Bem, nada sei de radição ou se é seguro como a Bia levantou, mas adorei a iniciativa. Um iPhone com todos os benefícios de um Windows Mobile! Isso, eu espero, que faça as operadoras agilizarem em reduxir a ganância preços e as maçãs em entregar um produto mais à altura das exigências de usuários experientes. Ok, não vou comprar um aparelho desses, admito que estou mais para um HTC Touch HD... mas vale a reflexão.
O quanto vale a inovação? Somente até alguém propor algo melhor.
Resulatado... Iphone: OUT!



PS.:Não tenho nenhuma ligação com o vendedor... apenas gostei do review: Parabéns.


Windows Mobile Edition with Hubdog for Pocket PC & SmartPhone

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Reconhecimento da Consciência em Outros

É possível reconhecer a consciência em alguém que se me faz presente? A resposta a princípio seria afirmativa, pois o outro responderia às minhas perguntas consistentemente, ou de uma maneira que eu mesmo poderia responder. Agora suponhamos que este outro não fale meu idioma, ou qualquer idioma por mim reconhecível, como julgaria que este outro é um ser consciente? Talvez através de gestos pudéssemos construir um sistema rudimentar de comunicação para as nossas necessidades. Suponhamos agora um caso mais extremo, em que este outro é um idivíduo que perdeu em um acidente a funcionalidade de partes de seu cérebro, como a área de Brock, responsável pela linguagem, suponhamos que o sujeito é afásico, o que poderia eu deduzir sobre este indivíduo se toda tentativa de comunicação me é frustrada? Tornou-se coisa? Na verdade não, imediatamente outros sinais me apontam a presença de uma pessoa ali, por exemplo reações como o medo, a tristeza, a raiva e a ira, seus agir, podemos em última instância dizer, seu “Olhar”. Não digo isso de forma poética, digo olhar no sentido mais concreto possível. Aparentemente existe uma tendência para reconhecermos humanidade nos outros humanos, apesar da resistência, também natural, de aceitarmos este outro como igual em estatus ontológico a nós mesmos. Quando os europeus chegaram à América houve uma pressão para ver o natural, então chamado índio, como desprovido de alma e, portanto, passível de ser usado como coisa: escravizado sem peso na consciência. Mas as evidências eram óbvias demais para serem ignoradas: brutos, estúpidos, ingênuos, lassos, inferiores, sem moral, mas humanos. O contrário parece ser mais fácil, i.e., humanizar seres não humanos, cães apresentam-se como fortes candidatos à humanidade, quem não percebe pelo olhar de um cão os mesmos sentimentos que em si possui, quantas vezes não reconhecemos o medo, o pedido de proteção, a alegria ao nos reconhecer, a raiva e a frustração, até a culpa e a vergonha. Mas vejamos outras espécies, como entre os ratos, a dedicação da mãe a seus filhotes, o cuidado em mantê-los aquecidos, de ir buscar quando algum sai do ninho, ao atacar um rato invasor que põe em risco seus pequenos e, ao mesmo tempo, o carinho que eles dedicam à mãe, os jogos com seus irmãos, o trabalho conjunto para arrumar a própria casa buscando materiais macios e limpos para preenchê-la. Tudo isso parece muito humano, e diferente dos insetos, ou artrópodos, tão frios. Pense em uma viúva negra ao matar seu par após a cópula, ou besouros que devoram suas próprias larvas se acontecer de estarem por perto quando nascerem.
Enfim, os exemplos servem de alerta para nossas atribuições: atribuímos humanidade com base não racional. Talvez exista algo como um padrão que ao ser reconhecido por nossa mente, logo coloque o objeto analizado em uma espectro de humanidade, e, a partir daí, suas ações são analizadas com base em sua localização no espectro. Quando um cão destrói a camisa de seu dono, podemos logo julgar que ele quer mais atenção, ou que está se vingando por algo que não gostou. Certo, um sagui realmente tem comportamentos de retaliação, um cão não, desde que ele te respeite, não importa o quanto absurda pode ter sido sua reação para com ele, ele vai esperar infeliz até que você o agrade, e quando você o fizer, ele vai se sentir feliz. Se for um sagui, ele vai te morder.


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sábado, 17 de maio de 2008

Leaves of Grass

Song of Myself

1
I CELEBRATE myself, and sing myself,
And what I assume you shall assume,
For every atom belonging to me as good belongs to you.

I loafe and invite my soul,
I lean and loafe at my ease observing a spear of summer grass.

My tongue, every atom of my blood, form'd from this soil, this air,
Born here of parents born here from parents the same, and their
parents the same,
I, now thirty years old in perfect health begin,
Hoping to cease not till death.

Creeds and schools in abeyance,
Retiring back a while sufficed at what they are, but never forgotten,
I harbor for good or bad, I permit to speak at every hazard,
Nature without check with original energy.



Do tio Walt...





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domingo, 4 de maio de 2008

Sobre a Incapacidade de Tratamento dos Resíduos


A geração de resíduos cresce à medida que o aglomerado urbano se concentra, conseqüentemente exige-se o aprimoramento das técnicas de sanitarização para manter as populações dentro de parâmetros aceitáveis de higiene. Historicamente, a preocupação com a administração dos resíduos demonstra ser bem antiga pois, através dos artefatos arqueológicos pode-se indiciar a presença da equipamentos para este fim, como latrinas e redes de escoamento de dejetos, pelos últimos 5.000 anos de civilização. Por exemplo, a Cloaca Maxima romana, serviu como base para o crecimento da Capital Imperial, sendo ampliada e restaurada através dos séculos, a funcionar como um conjunto de galerias que levavam os dejetos e rejeitos antrópicos em direção ao rio Tibre, além de conter as inundações.

Com a expansão do espaço urbanizado, a capacidade do meio para absorver os resíduos brutos foi superada, sendo portanto necessário o desenvolvimento de técnicas que reduzissem a carga liberada. Uma dessas técnicas seria lançar o rejeito o mais longe possível do espaço habitado: Emissários Submarinos liberam o material, após diluição, em alto mar. As águas oceânicas possuem alta capacidade para consumir a matéria orgânica, a ponto de não causar danos ambientais. Este método é mais propício para as grandes cidades próximas ao mar, sendo inviável economicamente para pequenas cidades ou para as cidades mais afastadas.

Outra técnica consiste no tratamento do resíduo em Estações de Tratamento de Esgotos - ETEs. Estas, em geral, utilizam-se de um processo que envolve o uso de lodo ativado, lagoas de decomposição anaeróbia e aeradores, reduzindo a carga final através da metabolização microbiana do efluente. Após o tratamento, o resíduo amortizado pode enfim ser liberado aos rios, nos quais acontece o consumo da matéria orgânica remanescente, idealmente, sem causar eutrofização. Cidades situadas à jusante da ETE poderão seguramente captar a água do rio para o necessário tratamento e posterior distribuição para o consumidor.

Porém, nem todo resíduo que chega às estações de tratamento são passíveis de serem biodegradados: muitas moléculas artificialmente obtidas não possuem microorganismos capazes de realizarem a sua devida degradação e, além disso, apresentam toxidez crescente em função de sua concentração. São exemplos destes materiais os plásticos em geral, exceto os biodegradáveis, diversos tensoativos, agrotóxicos como o DDT, corantes sintéticos, entre uma infinidade de outros produtos hoje indispensáveis ao modo de vida tipicamente humano. Para estes produtos, em geral, a indústria realiza um tratamento próprio para seus efluentes específicos, como é o caso da indústria papeleira que trata seus resíduos organoclorados de modo que não sejam despejados diretamente no meio. A preocupação advém do nível de eficiência deste processo: nenhum tratamento garante 100% de eficácia - no caso da indústria papeleira situa-se na faixa dos 97% de eficácia -, sempre há um escape para o meio de moléculas exóticas. A presença destas moléculas, que não podem ser degradadas naturalmente nem por processos regulares de tratamento de águas residuais, tende a ser crescente nas áreas antropizadas e a serem transportadas pelo fluxo da água, dos espaços de maior altitude para os de menor altitude com relação ao nível do mar, atingindo tanto os ecossistemas presentes na superfície quanto as reservas em aqüíferos.

Como conseqüência, há o risco de inutilização dos recursos hídricos subterrâneos por contaminação, há a acumulação de material tóxico nas águas e, por conseguinte, nos ecossistemas, à medida que os rios passam pelos municípios, em seu caminho em direção ao mar, apesar do tratamento: a excelência técnica nos processos de tratamento não é capaz de equivaler seus resultados à qualidade do corpo de água antes de ser utilizado.

Não há como quantificar a extensão dos danos que já incidem sobre o meio e toda ação que se propuser é apenas uma forma de reduzir a velocidade de degradação ambiental. Nem nenhuma ação compensatórias, obviamente, será capaz de desfazer um prejuízo já causado ao meio cujas conseqüências sobre os ecossistemas se desdobram muito além do que a ciência atual é capaz de mensurar. A proposta mais coerente para mitigar os danos é a efetiva redução do escape de resíduos recalcitrantes para o meio.

Algumas práticas já estão sendo adotadas no sentido de conter os contaminantes, como a implantação de circuito fechado nas plantas industriais, ou seja, a água nunca volta à natureza e é continuamente reaproveitada no processo produtivo, ou a implantação dos princípios da Química Verde que propõe uma série de medidas que vão desde evitar o uso de contaminantes à sua substituição por substâncias menos nocivas. Um procedimento bastante interessante que tem sido aplicado recentemente é a transferirência à entidade responsável pelo de tratamento de esgotos, a responsabilidade pelo tratamento do resíduo sólido também, proporcionando uma política integrada de controle dos efluentes urbanos.

No entanto, toda legislação pauta-se por referências quantitativas de limites permitidos, não havendo meios para se impor uma consciência ambiental a outrem por instrumentos legais. A lei não é uma ferramenta eficaz quando se enfrenta uma situação de abrangência global e duração ilimitada, como é o tema em pauta. Por esta razão, a perspectiva está longe de ser otimista: a prática costumeira para o descarte de substâncias, desde o âmbito industrial a espaços mais domésticos - como as escolas e universidades -, consiste na diluição do contaminante até atingir os limites previstos pela legislação vigente e o posterior lançamento na rede de esgotos ou diretamente no leito dos rios.

(As idéias acima não representam minhas opiniões, qualquer semelhança é mera coincidência)




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sábado, 15 de março de 2008

Liberdade... Ética...

Apenas duas citações hoje:

"Ao afirmarmos que o homem se escolhe a si mesmo, queremos dizer que cada um de nós se escolhe, mas queremos dizer também que, escolhendo-se, ele escolhe a todos os homens. De fato, não há um único de nossos atos que, criando o homem que queremos ser, não esteja criando, simultaneamente, uma imagem do homem tal como julgamos que ele deva ser. Escolher ser isto ou aquilo é afirmar, concomitantemente, o valor do que estamos escolhendo, pois não podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos. " (O Existencialismo é um Humanismo.) - JPS


E minha favorita....

"Uma andorinha só não faz verão" - Arist. Livro I - Ethica Nicomachea


domingo, 13 de janeiro de 2008

SRS (O) WOW HD

Ontem (09/01) havia instalado o WOW HD (disponibilizado em xda developers) e posso garantir que o prazer de ouvir música foi incrementado substancialmente ao ponto de parecer que existe algo errado no P D A se desligar-mos o recurso: é o tipo de coisa que viviamos muito bem sem ela antes de experimentar e, agora não é mais possível imaginar ficarmos sem. Baixe e instale já. Disponibilizarei um link direto para os que não têm cadastro no site.

Leia o Blog da Smartphone & PocketPC Magazine (Clique Aqui)



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terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Idéias Simples ainda fazem diferença

Como todos sabem está acontecendo a CES (se não souber o que é, melhor googar isso!Clique aqui) Olha só o destaque do site Dvice. Não é nada de novo... na verdade a gente pode comprar algo similar por 3 reais em qualquer lojinha de eletrônicos... mas olha só a idéia genial de aproveitar o hábito adolescente de compartilhar fones de ouvido e transformar num produto! Design bonitinho, 5 saídas para headphones, publico alvo garantido e um precinho de... US$ 20.00!
(e eu, muito sem malícia, perco meu tempo trabalhando... )







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sábado, 5 de janeiro de 2008

HubDog: RSS e muito mais

Um recurso que instalei ontem e tem sido muito divertido é o HubDog (http://www.hubdog.com/), é uma espécie de cliente RSS, com muitos recursos além da leitura. E não se restringe ao PDA, você pode adicionar Channels no Desktop e, quando inicializar o aplicativo no pocket ele vai abrir buscar seus canais a partir da sua conta no HubDog, criando certa sincronização. Diferentemente dos RSS, você não pode simplesmente inscrever a fonte do RSS e passar a receber desde então a alimentação do site, é necessário criar um canal. Ainda não explorei todos os recursos, mas pelo que encontrei, é inspirador. Assinei um canal de Videos do Pogue (http://pogue.blogs.nytimes.com/), ele apresenta review de equipamentos no NY Times e agora produz reportagens em video para CNBC. Pois bem, pode-se com o HubDog assistir o stream destes videos diretamente no TCPMP com um único tap. Basta estar associada a extensão .pls ao TCPMP que o HubDog automaticamente abre o Player e roda o video. Excelente qualidade, pelo menos com uma boa conexão wi-fi. O que fica bem claro com este software/serviço é que não se tentou imitar os recursos do Desktop no PDA, mas é um serviço específico aproveitando as características proprias dos equipamentos móveis! Isso faz a gente ficar feliz por haver a possibilidade de utilizar-se do HubDog no Desktop, e não o inverso...






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Net Beans DVD

Se você é um desenvolvedor talvez se interesse por receber o DVd do Net Beans em casa: entre no site e solicite a midia gratuitamente, isso, nem frete precisa pagar! http://www.netbeans.org/about/media.html
Ah... se vc tem pressa é melhor baixar porque pedi faz semanas e até agora nada... ainda bem que tenho banda larga! ufa!

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Cuidado com o que você assiste na WWW

Vou citar um hoaxer incrível... vale a pena checar os videos e o site para dar muita risada: http://www.marksinfinitesolutions.com/ e o traste tem o mesmo nome que eu... mereço?
Vejam esse:

Novos Softwares do meu PDA

Na última semana experimentei o Fring.. que achei fantástico! fiz ligações de pontos de Wi-Fi como no meu trabalho através de Skype, da Vono e do MSN... isto é, meu velho Axim X51v pode falar com telefones fixos, móveis e clientes do IM... mais barato que ligações de celular... A qualidade deixa um pouco a desejar: as vezes o som sai cortado... mas isso já acontecia na vono softphone do desktop... também não funciona bem via Bluetooth, melhor usar wi-fi... Não tenho um headset Bluetooth mas acredito que ficaria, muito mais confortável pois parece que estou usando um walktalk... Mas o fato é que funciona. O Fring ainda permite várias contas logadas simultaneamente: Gtalk, MSN Messenger, Voip (SIP), ICQ, Twitter (http://twitter.com/), Skype. Se você tiver um Smatphone vai se divertir a beça, pois o uso será muito mais confortável e poderá aproveitar os planos de dados pra pagar menos pelas ligações!


Free Call Using Fring - The best bloopers are here

Bia Kunze - Tecnologia Móvel no dia-a-dia

A gente sempre pesquisa na internet e nem sempre guarda o que e onde encontrou aquilo que fez toda diferença... uma reviewer foi fundamental para o estabelecimento do meu estilo de vida, talvez sem o seu blog eu não saberia por onde começar a reconfigurar minha interface com o mundo rs... Aí vai a lista de URLs que encontrei esse tipo de parâmetro:
www.odontopalm.com.br/gsf/ - Garota Sem fio, ou garotasemfio
www.flickr.com/photos/garotasemfio/ - Flickr
http://odontopalm.com.br/psf/ - Pod Sem Fio: Pods "semanais" da Bia com review
Um video pod experimental sobre o MotoQ

E uma matéria sobre a vida móvel em que a Bia aparece:



http://explore.twitter.com/garotasemfio - Por fim... o Tweter (o que a Bia anda fazendo???)
No english title - Click here for more home videos

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Ophcrack Live CD

Hacking Xp for Dummies: Ophcrack Live CD

Video no Metacafe: http://www.metacafe.com/watch/871129/hacking_windows_passwords/

Eu não testei esse software especificamente, mas deve funcionar. Em outras soluções, que já me utilizei, simplesmente apagava o password do Administrador, um método sujo e nada discreto. Com essa ferramenta podemos entrar no sistema e fazer nosso trabalho, sem ter de importunar o cliente com pedidos de passwords...

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Te Quiero

Cada vez que un dueño de la tierra proclama para quitarme este patrimonio tendrán que pasar sobre mi cadáver debería tener en cuenta que a veces pasan.
Mario Benedetti, Calculo de Probabilidades.

Estive hoje ouvindo uma música que há muito não experimentava - uns dez anos, aposto - Te Quiero, cuja poesia é do poeta uruguaio Mario Benedetti. encontrei várias interpretações no Youtube (http://www.youtube.com/watch?v=CVhzNjFg46k), mas o que mais me interessou foi a gravação de alguns poemas disponibilizados pela Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, gravados pelo próprio Mario Benedetti (http://www.cervantesvirtual.com/bib_autor/mbenedetti/). Um belo sitio para se inspirar com o humor irônico deste poeta.

Cuestionario no tradicional

"Esto se llama cuestionario no tradicional.


En mi larga vida de literario, de escritor y de periodista muchas veces he hecho entrevistas y me han hecho y a veces se usa un cuestionario muy tradicional con las preguntas de siempre, por ejemplo: qué opina de Borjes, qué opina del compromiso literatura, cosas así; pero otras veces los periodistas hacen, hacen preguntas para dejarlo tartamudeando a uno no, entonces esto es mi contribución a esos cuestionarios no tradicionales, a un escritor, claro:

¿Qué piensa del frío?

¿Qué ha influido más en su obra literaria la lucha de clases, García Márquez, el colesterol, el grupo de Chicago, lo real maravilloso, los pezones morenos, el estructuralismo, el churrasco, Dios o el Kh3?

¿Cuál es su odio mas amado?

¿Padece de insomnio en la siesta?

¿Qué opina del páncreas?

¿Es usted soltero, casado, divorciado, viudo, homosexual, impotente? (favor de subrayar la o las palabras que correspondan a su estado actual)

¿Cuál es su dolor preferido?

¿De cuál de las galaxias se siente mas distante?

¿Por qué razón o razones no se ha suicidado?

¿Qué opina del diptongo en general o de algún diptongo en particular?

¿Podría nombrar dentro de su última obra algún caso de analexis interna etéreo-diegética? ¿curable o incurable?

¿Considera que la demencia puede ser un factor de alineación?

y ¿Partidario o enemigo de la diéresis?

¿Ha codiciado alguna vez a la mujer de su prójimo? ¿y que tal?

Y por último…

¿Quién cree que no es, de donde no viene, a donde no va?"



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